Um comércio de toalhas e fraldas aberto em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina, em 1981, é a origem de um dos maiores grupos têxteis do estado. Quatro décadas depois, a Lunelli produz mais de 24 milhões de peças por ano e fechou 2025 com faturamento de R$ 1,5 bilhão.
A história começou com o Comércio de Toalhas Lunender, criado pelo casal Antídio Lunelli e Beatriz Ender. Segundo registros da própria companhia, a operação nasceu pequena e com poucos recursos, aproveitando sobras de materiais descartadas por outras indústrias têxteis da região — um modelo comum no Vale do Itapocu, onde a cadeia de confecção já era forte naquela época.
O tear que virou indústria
A virada veio em 1987, quando Antídio Lunelli comprou o primeiro tear circular, equipamento usado para produzir tecidos tubulares contínuos. A aquisição marcou o nascimento da Lunender Indústria Têxtil, voltada à malharia e à confecção das próprias peças, encerrando a fase exclusivamente comercial do negócio.
A expansão seguiu pela região. Em 1991, entrou em operação a unidade Lunelli Beneficiamentos, em Corupá. Cinco anos mais tarde, em 1996, a planta de Jaraguá do Sul atingiu o limite físico de crescimento e as instalações foram transferidas para Guaramirim. Em 2002, o grupo criou a Lunelli Têxtil, dedicada à produção de malha em rolo. Nos anos seguintes, incorporou novas máquinas, tecnologias e marcas ao portfólio.
Números de 2025
No ano passado, a Lunelli produziu mais de 24,1 milhões de peças e 13,2 mil toneladas de malhas e tecidos. Outros 5,8 milhões de metros de malhas e tecidos passaram pela estamparia digital, área em que o grupo investiu para atender demandas de personalização e lotes menores.
A empresa encerrou 2025 com 14 unidades, 55 lojas e mais de 21,5 mil clientes. O faturamento de R$ 1,5 bilhão coloca o grupo entre as operações têxteis mais relevantes de Santa Catarina, estado que concentra um dos principais polos de confecção do país, com forte presença no Vale do Itajaí e no Norte catarinense.
O portfólio reúne marcas como Lunender, Lez a Lez, Alakazoo, Hangar 33, Fico e Vila Flor. Além das grifes próprias, a companhia atua na venda de malhas e tecidos e na produção de peças para outras marcas nacionais e internacionais, no modelo de private label — frente que ajuda a diluir o risco da operação quando o varejo de moda desacelera.
Hoje, a estrutura do negócio iniciado pelo casal em Jaraguá do Sul se estende por Santa Catarina, São Paulo, Ceará e Paraguai, combinando unidades industriais, beneficiamento, estamparia e rede própria de lojas.
Com informações de ND Mais.







