O Sebrae/SC vai destinar mais de R$ 11 milhões ao longo de 2026 em ações de apoio a pequenos negócios do turismo catarinense. Segundo a entidade, os recursos devem alcançar cerca de 2,5 mil empresas em mais de 120 municípios do estado. O anúncio foi feito às vésperas do Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro.
Os números ajudam a dimensionar o peso da atividade na economia catarinense: o turismo responde por 12% do PIB estadual e por 7,12% dos empregos formais, o equivalente a mais de 293 mil postos de trabalho. As micro e pequenas empresas concentram 91,7% dos negócios ativos do segmento e sustentam mais da metade desses empregos com carteira assinada.
O investimento está distribuído em 14 projetos estratégicos, desenhados a partir das vocações de cada território. Entre as iniciativas estão a Georrota Cânions do Sul, a Rota da Baleia Franca, a Rota do Big Surf, a Rota Encantos do Planalto Norte Catarinense e o apoio a festas e eventos tradicionais do calendário regional.
Da operação básica ao acesso a operadoras
O carro-chefe da estratégia é o Programa Viva Santa Catarina, que busca conectar empreendimentos turísticos locais aos grandes canais de distribuição. O programa oferece consultorias especializadas e capacitações com subsídio de até 70% do custo, preparando os negócios para serem comercializados por agências e operadoras do Brasil e do exterior.
De acordo com o diretor técnico do Sebrae/SC, Fabio Búrigo Zanuzzi, a atuação da instituição reflete uma mudança de estratégia voltada a converter o potencial geográfico e cultural do estado em faturamento para os pequenos empresários. Ele cita a diversidade que vai do litoral à Serra, da gastronomia colonial ao turismo de aventura, e afirma que o papel técnico da entidade é evitar que os pequenos negócios fiquem restritos à operação básica, avançando em gestão, inovação e acesso a mercado. "Os mais de R$ 11 milhões aplicados em 2026 refletem esse compromisso de transformar destinos em produtos competitivos, sustentáveis e integrados às grandes redes de comercialização do Brasil e do exterior", disse.
Empresária atendida pelo programa, Letícia Figueiredo, sócia-proprietária da Canyons do Sul Ecoturismo, receptivo que atua na região de Praia Grande, afirma que a participação ajudou a estruturar a operação e a alinhar a empresa às exigências das operadoras. Segundo ela, o projeto permitiu rever processos e estratégias comerciais e trocar experiências com outras empresas do setor, o que resultou em mais organização e em mais qualidade e segurança aos visitantes.
Sustentabilidade e gastronomia
Outra frente é o Selo Serra Catarinense Sustentável, desenvolvido no âmbito do Consórcio Intermunicipal da Serra Catarinense (Cisama) e da Associação dos Municípios da Região Serrana (Amures), em cooperação com o Sebrae/SC. A certificação envolve 18 municípios e adota uma metodologia de evolução contínua em quatro níveis — Verde, Bronze, Prata e Ouro —, com reconhecimento de práticas nos eixos ambiental, econômico, sociocultural e político-institucional. No quinto ciclo, previsto para 2026, a iniciativa chega a 100 empresas.
A estratégia inclui ainda o Programa Origem Santa Catarina, voltado à valorização da gastronomia, da agricultura familiar e ao uso de Indicações Geográficas (IG) para estimular o turismo de experiência. Na gestão pública, o Sebrae/SC mantém parcerias com prefeituras — caso do plano estruturado em Camboriú — para elaborar diagnósticos e diretrizes de desenvolvimento local em segmentos como turismo rural, náutico, religioso e gastronômico. A entidade também disponibiliza materiais orientativos ao empresariado, entre eles e-books sobre adequação do setor à Reforma Tributária e ferramentas de marketing digital.
Com informações de Agência Sebrae SC.







