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Economia

Novas rotas logísticas do Paraguai entram no radar de empresas de SC

Rota Bioceânica e novos corredores rodoviários redesenham o mapa de investimentos do país vizinho; Grupo Schulz já avaliou possível instalação industrial

Novas rotas logísticas do Paraguai entram no radar de empresas de SC
Foto: reprodução / ND Mais
Ouça esta matéria4 min · narração automática

O avanço da Rota Bioceânica e de novos corredores rodoviários no Paraguai vem alterando os critérios de empresas brasileiras — entre elas, catarinenses — na hora de decidir onde investir. A avaliação é de Jonathan Roger Linzmeyer, presidente da CN Mercosul, consultoria com base em Santa Catarina que atua na aproximação entre empresários brasileiros e o ambiente de negócios paraguaio.

Segundo Linzmeyer, que também fundou e preside o Grupo Linz, no Brasil, a discussão deixou de girar apenas em torno de carga tributária. Ele afirma que, ao somar o grau de investimento concedido por duas das três principais agências internacionais de classificação de risco, a expansão industrial, o regime de Maquila, as novas pontes e os corredores logísticos, surge uma espécie de nova geografia econômica dentro do país vizinho.

Na avaliação do empresário, fatores como logística, localização, acesso a matéria-prima, mercado consumidor, distribuição e conexão internacional ganharam peso nas análises de investimento, em um cenário que antes era dominado por tributação e custos.

Como ficam as rotas

O projeto central é a Rota Bioceânica, corredor de integração que liga o Atlântico ao Pacífico e prevê uma futura conexão terrestre entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Em território paraguaio, a rodovia PY15 avança pela região do Chaco a partir de Carmelo Peralta, cidade na fronteira com Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul.

O primeiro trecho, de cerca de 174 quilômetros entre Carmelo Peralta e Cruce Centinela, já foi concluído. Outro segmento, de aproximadamente 224 quilômetros entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, segue em execução. Além da Bioceânica, outros projetos ampliam a malha rodoviária paraguaia, como a Ruta de la Leche, também no Chaco, e a Ruta de la Integración (PY10), na Região Oriental.

Esses eixos criam ligações entre regiões produtoras, áreas industriais, pontos de fronteira e portos, o que abre espaço para negócios fora do eixo econômico tradicional do Paraguai.

Catarinenses no radar

O movimento já é acompanhado por empresas de Santa Catarina. Em agosto, executivos do Grupo Schulz participaram de uma agenda com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai para analisar oportunidades ligadas a uma eventual instalação industrial no país. O encontro foi conduzido por Linzmeyer, por meio da CN Mercosul, com apoio institucional da Rediex, agência paraguaia de promoção de investimentos e exportações.

Conforme informado, a reunião fez parte de um processo de avaliação e não representou anúncio nem confirmação de investimento.

Para Linzmeyer, o empresário brasileiro precisa enxergar o Paraguai não apenas como alternativa de redução de custos, mas como peça de uma estratégia regional — e a localização passa a pesar mais quando novos corredores conectam áreas industriais, produtivas e logísticas. Ele avalia que o desafio é converter a infraestrutura em indústria, logística, investimentos, empregos e desenvolvimento, e não apenas em fluxo de caminhões em trânsito.

A consolidação desses corredores, no entanto, ainda depende de avanços na integração das fronteiras, na estrutura aduaneira, no transporte e na conexão com os portos. Mesmo assim, segundo o ND Mais, a expansão da malha rodoviária já coloca novas regiões paraguaias no radar de investidores brasileiros.

Com informações de ND Mais.

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