Santa Catarina aparece como o terceiro estado brasileiro com maior número de empresas analisadas por Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) nos nove primeiros meses de 2026. Segundo a primeira edição do Radar Assertiva de Demanda por Crédito Estruturado, o estado concentra 396 CNPJs, o equivalente a 11,2% do total mapeado no país, atrás de Minas Gerais (39,4%) e São Paulo (25,2%).
O levantamento foi feito pela empresa de data & analytics Assertiva e considerou 4.045 consultas realizadas por 36 FIDCs entre janeiro e setembro deste ano, envolvendo 3.543 companhias diferentes. O objetivo do estudo é mapear a distribuição geográfica e o perfil das empresas que chegam à etapa de análise desses fundos.
O crédito estruturado é uma forma de financiamento sob medida, que combina diferentes instrumentos financeiros para atender necessidades específicas de captação de empresas ou projetos. Nos FIDCs, o mecanismo costuma envolver a antecipação de recebíveis.
Indústria puxa a demanda catarinense
Das 396 empresas catarinenses identificadas no estudo, 277 são do setor industrial — cerca de 70% do total do estado. No recorte setorial nacional, a indústria de Santa Catarina fica em terceiro lugar, atrás de São Paulo (431 empresas) e Minas Gerais (389).
Para o CEO da Assertiva, Hederson Albertini, o peso industrial reflete a maturidade das cadeias produtivas catarinenses. Segundo ele, o cruzamento entre dados geográficos e atividade econômica mostra em quais cadeias a análise dos FIDCs aparece com mais intensidade no estado.
Já o CEO da fintech Vitório, Rafael Nakamoto, associa o movimento ao ciclo financeiro típico da indústria. De acordo com o executivo, Santa Catarina tem uma indústria diversificada e formada por cadeias que precisam financiar de forma permanente produção, estoque e distribuição. São empresas que gastam antes de receber, e quanto maior esse intervalo, maior a necessidade de estruturas de capital compatíveis com o ciclo do negócio, afirma.
Na prática, ao conceder prazos de 60 a 90 dias aos clientes, essas indústrias acabam financiando também a cadeia comercial. O uso de FIDCs permite antecipar esses recebíveis e reduzir a pressão sobre o caixa operacional.
Sul e Sudeste concentram as consultas
A Região Sul responde por uma em cada cinco empresas analisadas pelos fundos no Brasil, com 20,3% do total e 718 companhias. Santa Catarina lidera o bloco, com 396 CNPJs, seguida por Rio Grande do Sul (172) e Paraná (150). Somados, os três primeiros colocados do ranking nacional — Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina — concentram 75,8% da amostra.
No corte por grandes setores, o grupo formado por Indústria, Construção e Logística liderou as consultas no país, com 51,1% dos CNPJs, seguido por Comércio, Serviços Financeiros e Imobiliários, com 36%.
A Assertiva pondera que o estudo tem caráter observacional e não probabilístico. Os dados retratam as consultas feitas pelos fundos analisados e não indicam, necessariamente, aprovação ou concessão efetiva do crédito.
Com informações de ND Mais.






