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Infraestrutura

Ferrovia no Oeste de SC pode reduzir custo de frete em até 68%

Trecho entre Chapecó e Correia Pinto tem projeto básico concluído e investimento estimado em até R$ 14,8 bilhões, mas depende da definição da concessão da Malha Sul

Ferrovia no Oeste de SC pode reduzir custo de frete em até 68%
Foto: reprodução / ND Mais
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A construção de uma ferrovia ligando Chapecó a Correia Pinto, com cerca de 319 quilômetros, pode reduzir em até 68% o custo unitário do transporte de cargas de longa distância em comparação ao modal rodoviário. A estimativa é da Secretaria de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias (SPAF) e integra os estudos de diagnóstico do Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-SC), ainda em fase de conclusão.

Os números do levantamento mostram a diferença entre os dois modais em Santa Catarina: o custo médio do transporte ferroviário é de R$ 296,81 por mil TKU (Tonelada Quilômetro Útil), enquanto o rodoviário chega a R$ 923,37 por mil TKU. Segundo a SPAF, a migração de parte das cargas de longa distância para os trilhos poderia gerar a economia de até 68%, com variação conforme a cadeia logística analisada. O efeito seria mais expressivo no transporte de grãos.

Milho do Centro-Oeste é o gargalo

O impacto tende a ser sentido com mais força no Oeste catarinense, onde o abastecimento de milho para produção de ração animal é um dos principais entraves logísticos. De acordo com a secretaria, o grão vem majoritariamente do Centro-Oeste do país, a mais de 1,5 mil quilômetro do polo consumidor catarinense. A distância combinada à dependência do caminhão encarece a produção local.

Entre as cargas com maior vocação para os trilhos, os estudos apontam granéis agrícolas — milho, soja e farelos —, além de fertilizantes, que poderiam ser movimentados como carga de retorno. Produtos da agroindústria, como carnes de aves e suínos congeladas e refrigeradas, também aparecem na lista, assim como a distribuição regional de ração animal e derivados lácteos.

Para a SPAF, um frete mais barato de matérias-primas e de produtos acabados tende a se refletir na competitividade das empresas e cooperativas instaladas na região, que hoje arcam com custos logísticos elevados por operar quase exclusivamente pelo modal rodoviário.

Menos caminhões nas estradas

Outro efeito projetado é a diminuição do número de caminhões em viagens de longa distância. Conforme os levantamentos do PELT-SC, terminais do interior, como o Pátio de Transbordo de Chapecó, teriam capacidade para movimentar milhões de toneladas por ano que hoje circulam apenas pelas rodovias. A secretaria cita ainda, entre os benefícios esperados, a redução de acidentes e dos gastos estaduais com manutenção das estradas.

O projeto básico do trecho entre Chapecó e Correia Pinto está concluído e prevê 49 pontes e viadutos e 14 túneis. O investimento estimado varia de R$ 13,68 bilhões a R$ 14,8 bilhões.

A execução, porém, ainda não tem data. A implantação depende da definição do modelo de concessão da Malha Sul e da estruturação do projeto para atrair investidores. A SPAF informa que o projeto básico elaborado pelo Estado será compartilhado com o BNDES para uso no Estudo Técnico de Viabilidade Econômica e Social (EVTEA) do Corredor Ferroviário Santa Catarina, iniciativa mais ampla que prevê ligar o Extremo Oeste ao litoral e conectar a produção regional a outros mercados e aos complexos portuários catarinenses.

Com informações de ND Mais.

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