O setor produtivo do Oeste de Santa Catarina voltou a defender a ampliação da malha ferroviária na região como saída para o gargalo logístico que afeta a maior cadeia agroindustrial do estado. As propostas em discussão preveem novos corredores para trazer grãos das áreas produtoras até o Oeste catarinense e, ao mesmo tempo, conectar a região aos portos usados para exportar carnes de frango, suína e bovina.
Entre as ideias apresentadas está a construção de uma ferrovia ligando o Centro-Oeste brasileiro ao Oeste de Santa Catarina. Pela estimativa divulgada pelo setor, o corredor teria capacidade para movimentar até 20 milhões de toneladas de grãos, atendendo ao abastecimento das regiões envolvidas.
Os números ajudam a explicar a demanda. Somente o Oeste catarinense consome hoje cerca de 8 milhões de toneladas de milho por ano para a fabricação de ração. A produção de todo o estado, porém, não chega a 2 milhões de toneladas. A diferença é coberta com milho vindo de outras regiões do país, insumo essencial para manter a criação de aves, suínos e a produção de leite.
Ramais e conexões previstos
Outra demanda é a expansão dos trilhos dentro de Santa Catarina, com a ligação de Chapecó à Malha Sul já existente. A proposta prevê ainda conexão com a região de Cascavel, no Paraná, e, em uma etapa seguinte, com Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, criando alternativas para o transporte de cargas produzidas no Oeste.
O traçado também poderia se integrar à ferrovia estudada pelo governo catarinense entre o Oeste e Correia Pinto, na Serra. A partir desse ponto, a intenção seria alcançar a antiga ferrovia São Paulo–Rio Grande, que tem trechos desativados no Sul do país.
Entre os projetos citados está a Nova Ferroeste, que prevê um ramal entre Cascavel e Chapecó. O empreendimento enfrenta discussão judicial sobre o licenciamento ambiental: uma decisão da Justiça Federal impede a concessão de licença prévia pelo Ibama e determinou a realização de novas audiências públicas para debater os impactos ambientais.
Já a Ferrovia da Integração está na fase de elaboração do projeto básico de engenharia. Segundo informações apresentadas pelo setor, mais de 80% da parte documental já foi concluída. As duas ferrovias constam do Plano Nacional de Logística 2050, do governo federal, mas atualmente aparecem no planejamento como possibilidades alternativas de eixo de transporte, ainda dependentes de estudos futuros.
Rodovia segue como único caminho
Enquanto os projetos avançam em ritmos diferentes, o transporte de cargas do Oeste continua concentrado nas rodovias. Além do custo operacional, representantes do setor apontam a falta de segurança nas estradas e a dificuldade crescente para encontrar motoristas.
Os dados apresentados indicam que a idade média dos caminhoneiros já passa de 52 anos e que houve queda de 20% na emissão de habilitações profissionais na última década. Para o setor, a escassez de profissionais dispostos a fazer viagens longas aumenta a pressão sobre um sistema já pressionado por custos elevados.
A avaliação do agronegócio catarinense é de que os investimentos em ferrovias são necessários para preservar a competitividade da agroindústria, considerando tanto o volume de grãos que precisa chegar ao estado quanto a produção de proteína animal destinada aos mercados nacional e internacional. As informações foram divulgadas em reportagem do ND Mais.
Com informações de ND Mais.







