A Fibrafort, fabricante de lanchas sediada em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, está presente hoje em 57 países e já entregou mais de 19 mil embarcações, segundo informações da própria empresa. A trajetória da companhia, que completa mais de três décadas de atuação, começou bem longe do mar: o fundador, Márcio Braz Ferreira, iniciou a vida profissional fabricando tobogãs e peças especiais em fibra de vidro para parques aquáticos.
Antes de construir sua primeira embarcação, Márcio trabalhou com venda de equipamentos e projetos para parques aquáticos e com customizações em fibra, chegando a produzir tobogãs instalados em diferentes pontos do Brasil. Foi essa bagagem técnica com o material que, segundo ele, abriu caminho para a indústria náutica.
Do galpão alugado à linha Focker
A virada aconteceu em Itajaí, cidade marcada pela rotina de barcos, navios, pesca e navegação. Márcio alugou um pequeno galpão e, com o apoio de cerca de dez conhecidos ligados à navegação, desenvolveu o primeiro modelo da empresa: a Lagoon 17, feita em fibra de vidro, que chamou atenção pelo acabamento e pelas combinações de cores e estofados. Foi também a primeira lancha em que o próprio fundador navegou.
Naquele início, a operação ocupava um espaço de aproximadamente 300 metros quadrados e reunia dez pessoas, incluindo o fundador. O dinheiro das vendas era reinvestido no desenvolvimento de novos modelos. Com o tempo, a Fibrafort passou a produzir embarcações que ganharam espaço no mercado nacional, entre elas a linha Focker. A Focker 180, apresentada há mais de 30 anos na primeira edição do São Paulo Boat Show, ajudou a firmar a marca no país.
Atualmente, a fábrica ocupa área superior a 16 mil metros quadrados. Ao longo da operação, a empresa já exportou para mais de 40 países e mantém presença em 57 mercados. Mesmo após décadas à frente do negócio, o fundador segue participando do desenvolvimento dos barcos.
Influência da infância
Em vídeo publicado nas redes sociais, Márcio relacionou a vocação para a indústria à convivência com o pai, barbeiro durante o dia e inventor de máquinas e equipamentos à noite. Ele conta que, aos seis anos, viu o pai montar um rádio ao longo de um mês até o aparelho funcionar. "Aquilo me deixou muito surpreso, porque era algo impossível na minha visão de criança. E essa foi minha primeira lição: é possível fazer coisas impossíveis", afirmou.
O empresário também relatou momentos de desânimo ao longo da caminhada. "Desanimei várias vezes e pensei em desistir. Mas isso não era uma opção, eu gosto e acredito no nosso trabalho, e todos ao meu redor sempre me incentivaram a continuar", disse, acrescentando que os desafios fazem parte do crescimento.
A indústria náutica é uma das atividades tradicionais de Itajaí e região, que concentra estaleiros, marinas e empresas ligadas ao mar, além do complexo portuário que é um dos principais do país em movimentação de contêineres.
Com informações de ND Mais.






