Santa Catarina encerrou 2025 com aproximadamente 34,2 mil empresas de tecnologia, um crescimento de 16,4% em relação ao ano anterior. Os dados são do Observatório ACATE 2026 e indicam que o estado avançou acima da média nacional do setor, de 12,4%, mesmo em um ano de desaceleração da economia brasileira.
De acordo com o levantamento, o desempenho coloca Santa Catarina na liderança em ritmo de crescimento entre os 15 maiores polos de tecnologia do país. A densidade empresarial é de 4,18 empresas de tecnologia para cada mil habitantes.
O faturamento do setor no estado chegou a R$ 47,9 bilhões em 2025, o equivalente a 8% do Produto Interno Bruto catarinense. Enquanto o PIB estadual cresceu 3,9% no período, a receita das empresas de tecnologia avançou 12,7%, mais que o triplo do ritmo geral da economia de Santa Catarina.
Empregos e salários
O setor também aparece como gerador relevante de postos de trabalho qualificados. Em 18 anos, o número de empregos formais em tecnologia no estado passou de 21 mil para 102 mil, expansão de 380%. A remuneração média mensal dos profissionais da área é de R$ 6.195, cerca de duas vezes a média registrada no comércio catarinense.
O desempenho catarinense contrasta com o quadro nacional. Segundo os dados do Observatório ACATE, o faturamento do setor de tecnologia no Brasil cresceu 7,1% em 2025, abaixo dos 7,7% verificados em 2024. O movimento acompanha a perda de fôlego da economia brasileira como um todo, cujo crescimento recuou de 3,4% em 2024 para 2,3% em 2025.
Crédito e capital de risco
Na avaliação apresentada pelo Economia SC, o ambiente macroeconômico é o principal obstáculo para que o setor cresça ainda mais. O déficit público elevado pressiona a dívida e sustenta juros altos, o que reduz o apetite por investimentos de maior risco e encarece o crédito para empresas em expansão.
O efeito é particularmente sentido por startups, que dependem de capital de risco para financiar as fases iniciais de desenvolvimento. Com títulos públicos oferecendo rentabilidade atrativa e risco baixo, investidores tendem a migrar para aplicações mais conservadoras. Empresas catarinenses de tecnologia vêm relatando dificuldade para captar recursos nos últimos anos, segundo o veículo, em um cenário que também registra número recorde de pedidos de recuperação judicial no país.
A análise destaca ainda que tecnologia funciona como habilitadora de produtividade em outros setores, e não apenas como uma atividade econômica isolada. Entre os pontos apontados como necessários para ampliar a base tecnológica brasileira estão acesso a capital, retenção de talentos, ambiente regulatório favorável e previsibilidade de longo prazo — temas que, segundo o texto, deveriam entrar no debate econômico às vésperas das eleições de 2026.
Com informações de Economia SC.






