China e Estados Unidos anunciaram uma série de entendimentos comerciais e tecnológicos após a visita de Estado do presidente chinês Xi Jinping aos EUA, realizada entre a quarta-feira (23) e a sexta-feira (25). Entre os pontos principais estão a redução recíproca de tarifas sobre US$ 30 bilhões em mercadorias e a criação de um diálogo bilateral sobre inteligência artificial. A lista com oito entendimentos foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China e também confirmada, em parte, pela Casa Branca.
Pelo acordo tarifário, os dois países aplicarão tratamento mais favorável a US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis em cada direção. Do lado das exportações norte-americanas, a lista inclui produtos agrícolas, pescados e frutos do mar, madeira, cosméticos e dispositivos médicos. Já entre as importações dos EUA vindas da China aparecem bens de consumo como pequenos eletrodomésticos, brinquedos, artigos de decoração natalina e cadeirinhas infantis para automóveis.
IA e "superinteligência"
Os governos também acertaram a criação do Diálogo China-EUA sobre Inteligência Artificial, um espaço para troca de informações e posições sobre riscos e benefícios da tecnologia. A próxima reunião está prevista para novembro. Além disso, foi estabelecido um canal bilateral de comunicação para tratar de incidentes envolvendo IA, com novo encontro agendado para novembro de 2026.
Segundo a Casa Branca, os dois governos passaram a usar o termo "superinteligência" para se referir às tecnologias emergentes discutidas pelos líderes, e criaram o chamado Diálogo EUA-China sobre Superinteligência.
Carvão, minerais e segurança
O pacote comercial prevê ainda ampliação das compras chinesas de carvão dos Estados Unidos: pelo menos 10 milhões de toneladas métricas em 2027 e volume equivalente em 2028, conforme a Casa Branca. Os dois países afirmaram que seguirão tratando do fornecimento de terras raras e de outros minerais críticos, tema sensível para a cadeia de abastecimento norte-americana.
Durante os encontros, Xi Jinping e Donald Trump discutiram a relação bilateral e temas internacionais, entre eles Irã, Rússia, Coreia do Norte e segurança global. A declaração conjunta divulgada pela China afirma que os dois lados concordaram em construir uma relação de estabilidade estratégica baseada em respeito, justiça e reciprocidade. Os governos também acertaram apoio mútuo à realização das reuniões da APEC e do G20, com a intenção de que os dois presidentes participem das cúpulas sediadas pelo outro país.
Outro ponto do acordo é a cooperação no combate ao tráfico de drogas. A China informou que operações conjuntas envolvendo novas substâncias psicoativas e precursores químicos resultaram na prisão de dezenas de suspeitos nos dois países. A Casa Branca destacou que, em agosto, autoridades chinesas prenderam 21 cidadãos chineses suspeitos de fabricar e distribuir precursores químicos usados por produtores de drogas ilícitas na América do Norte.
Entre os entendimentos divulgados por ambos os governos está também a cessão de dois pandas gigantes da China ao Zoológico de Atlanta, nos Estados Unidos.
Com informações de ND Mais.







