Reeleito no domingo (4) em primeiro turno, o governador Jorginho Mello (PL) assume o segundo mandato à frente de Santa Catarina em janeiro de 2027 com uma lista de desafios concentrada em infraestrutura, segurança pública e saneamento básico — áreas que, segundo o G1 SC, aparecem como prioridades para os próximos quatro anos.
Aos 70 anos, Mello foi reconduzido ao Centro Administrativo com 68,98% dos votos válidos, o equivalente a 2.942.386 eleitores. Gelson Merisio (PSB) ficou em segundo, com 15,66% (668.021 votos), e João Rodrigues (PSD) somou 13,35% (569.263 votos). O governador também terá ambiente favorável na Assembleia Legislativa: dos 40 deputados estaduais eleitos, 16 são do PL.
Rodovias saturadas
A infraestrutura rodoviária foi o primeiro tema citado por Mello na entrevista coletiva concedida na noite da eleição. Com malha saturada tanto no Oeste quanto no Litoral, o estado depende de duplicações e manutenção constante para escoar a produção — fator direto de competitividade para a economia catarinense, considerada a mais competitiva do país.
Entre as frentes anunciadas estão o Corredor Litorâneo Norte, projeto conhecido como Via Mar, apontado pelo governador como prioridade, além de melhorias na BR-282 em articulação com o governo federal e a conclusão da duplicação da BR-470. As três obras atendem eixos distintos: a ligação litorânea no Norte, a travessia leste-oeste e o corredor do Vale do Itajaí até o Planalto.
Esgoto e segurança
No saneamento, o desafio é numérico e tem prazo definido. Santa Catarina tem hoje 35,9% de cobertura de coleta e tratamento de esgoto, de acordo com o Tribunal de Contas do Estado. O Marco Legal do Saneamento estabelece que, até 2033, 90% da população brasileira tenha acesso aos serviços — ou seja, o estado precisará mais do que dobrar o índice atual em menos de uma década, com a maior parte do esforço recaindo sobre o próximo mandato.
Na segurança pública, o quadro é de contrastes. Santa Catarina registra a menor taxa de mortes violentas do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mas contabilizou 335 feminicídios entre 2020 e 2024. O estado também aparece com índices expressivos de ameaças contra mulheres no comparativo nacional e tem a maior taxa de registros de crimes de racismo do país.
Outro ponto sensível é a falta de efetivo na Polícia Civil. A sobrecarga de trabalho chegou a provocar atraso de três anos em uma investigação de estupro contra uma idosa, caso que só foi reaberto depois que uma testemunha passou a ser apontada como autora do assassinato, estupro e ocultação de cadáver de uma jovem durante uma trilha em Florianópolis, à luz do dia. Em entrevista à NSC TV em 9 de setembro, o governador defendeu o retorno das câmeras corporais para os policiais.
O novo mandato começa em janeiro de 2027, ao lado do vice-governador eleito Adriano Silva (NOVO). Nas eleições deste ano, o PL também elegeu os dois senadores catarinenses em disputa, Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
Com informações de G1 SC.







